sexta-feira, 20 de junho de 2008

Quase cinco...

Essas letras vinholadas

Rogam o sol endemoniadas

Roém o véu da madrugada

Que perdura estasiada

Falta pouco pra findar

Fim da noite

Fim do mar

Mar do escuro e cheiro tosco

Peso amargo e meio insoço

Quem sabe fosse mais que um olhar

Ou de mal fosse nos estuprar

Então estupre e deturpe

Pois a alma é vã

E agora o fim da noite

No gemer da alma pagã

Que transforma até o amor

Em ranso choco de irmã

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Mulher cartaz...

Mesclas de sorriso
Com dentes de revés
Acena com teu prato
E os dedos sem anéis
Oferecendo o choro
Em troca de dinheiro
Apelando pra fome
Ou prorrogando o enterro
Nem sonha mais
Tampouco volta atrás
Quem vai lá?
Ajudar no movimento
Do risonho rito miserável
Daquela que treme e tilinta
Os ossos da taça plástica
As letras de tinta ilícita

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Vem amor...

Vê que lindo este olhar
Que me bota pra dormir
Ou me acorda no sonhar
Lindas cores em meio branco
Invejando até o mar
Voa amor só para mim
Alegorias do meu céu
Passarinho mais bonito
Tem no bico um doce mel
Vem amor, vem voando
Nas asinhas sopra o vento
Trazendo meu coração
Minha moça, meu acalento

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Reincidência...

Tendo ódio à sua força
Que me fez sentir a culpa
Mesmo se por injúrias
Tua boca infere a repetição
Estas ecoam ao nada
Se dissipam aos meus ouvidos
Nos sibilos do teu reclamar
Dos pesadelos dos anjos caídos
Dera gritos de "ai"
Tudo em nome do pai
Embatesse no homem que nascia
E pela rosa chorou um dia
Hoje, me calo por dentro
Gritando só por crer
Que esta não foi culpa minha
E nem culpa de você
Somos isentos de culpa
Pela pieguice do poder
Aquele deu-me da fruta
Que se morder vou morrer

sábado, 26 de abril de 2008

Caqueado...

Pista em construção
Faixas em construção
Símbolos em construção
Olhos em construção
Rosto em construção
Cabeça em construção
Cérebro em construção
Mente em construção
Pensamentos em construção
Sentimentos...
Estes?
Não se constróem
Se vivem
Se contrapõem
Se somam
Se eternizam

sábado, 19 de abril de 2008

Meu amor...

As folhas caem
O sol se deita
As águas se esvaem
O vento se distrai
O tempo se contrai
As pedras se esfacelam
E quase tudo se desfaz
Quase tudo
Nós, não
Às vezes sopra o medo
As pernas tremem
Os olhos vêm a pesar
Mas isso é reflexo do corpo
Cansado de se cansar
Meu coração é forte, moça
Por que você o sustenta
E se você sair, minha moça
Minha vida se afugenta
Então fica comigo, moça
Se tá difícil, reinventa
E ajuda este peito, moça
Pois o amor nele só aumenta

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Doce solidão...

Posso estar só
Mas sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah nem, ah não, ah nem dá
Solidão foge que eu te encontro
Que eu já tenho asas
Isso lá é bom?!
Doce solidão

Marcelo Camelo