Ah! Que vontade de morte
Se viver só me angustia
Até com o amor
Falta-me muita sorte
Não há nada que não traga dor
E junto com a notícia ruim
Vem junto o azar, o vício e o ardor
E a carga que suporta a lágrima
Não tenho que ser forte
Mesmo que com fogo na ponta
Respiro o mal que é meu suporte
Um trago de tudo que é ruim
Voltou a fazes sua função
Apaziguar minha alma
Amaciar meu coração
Tornar denso meus pulmões
Com a máscara da ilusão
É tudo para me enganar
Às vezes controla mais que o cérebro
Sentimento farsante
Que me deixa menos deprimente
Completamente químico
Disfarces de um intransigente
Sei que estou errado
Mas se não fizer, eu choro
E lagrimas corrompem os nervos
Daí vão abrir um buraco na alma
Mostrando o que agora sou
Um frágil covarde
Exposto às moscas
Traído dentro da própria casa
Uma facada no peito
Decepando o sorriso
Evidenciando tripas infelizes
Eu não me perdôo por nada
Por ter sido tolo
E não enxergar meus próprios olhos
Estar vivo é um detalhe
Um retrato da minha noção
Click: sem sentido
Sem sobriedade, sem noção
Um morto em carne viva.
sábado, 10 de novembro de 2007
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Como queiram...
Valores pré-cambrianos
Caninos corroem os canos
Na fossa que se acha garganta
Que arranha a voz de esgoto
Engolem os ratos no estômago
Respirando o ar argiloso
Na praia dos seus pulmões
Expiram um líquido viscoso
É lama que vai pra corrente
Pois sangue foi para o intestino
Fazendo um bolo silvestre
De fezes, grilhões e meninos
Arrastam-se por aqueles corpos
Revestido pela banha do egoísmo
Excretam a massa com ódio
Como se defecassem o espírito
Mas foi mais que isso
Algo que o odor já divulga
Foi a alma gordurosa burguesa
Criando sua imagem e semelhança
O retrato de sua essência
Ou merda, como queiram
Caninos corroem os canos
Na fossa que se acha garganta
Que arranha a voz de esgoto
Engolem os ratos no estômago
Respirando o ar argiloso
Na praia dos seus pulmões
Expiram um líquido viscoso
É lama que vai pra corrente
Pois sangue foi para o intestino
Fazendo um bolo silvestre
De fezes, grilhões e meninos
Arrastam-se por aqueles corpos
Revestido pela banha do egoísmo
Excretam a massa com ódio
Como se defecassem o espírito
Mas foi mais que isso
Algo que o odor já divulga
Foi a alma gordurosa burguesa
Criando sua imagem e semelhança
O retrato de sua essência
Ou merda, como queiram
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Composição...
Preciso fazer uma canção
Que embale minha vida
Sem se prender a um gênero
E não se limite a uma voz
Para que nas horas de tristeza
Venha-me como um tango
Real e capaz de mostrar meu desengano
Mas logo depois da angústia
Escute o barulho do samba
Se a dois, um de raiz
Se só, quero bossa-nova
Em noites de amor que um blues
Nos dias de sol ouço em jazz
Na minha emoção rock n’roll
Ou quando dançar drum bass
Pulsando em um ritmo forte
Em compassos do coração
Que bate em notas da vida
E harmoniza tudo o que é meu
Para essa música não tem aulas
Nada de riffs ou acordes
Porém qualquer um pode sentir
É só respirar bem fundo
Começar a ouvir o silêncio
Pois é lá onde vibram os sons reais
Na freqüência de um amor
Que como um single dos Beatles
Não pára de tocar jamais
Que embale minha vida
Sem se prender a um gênero
E não se limite a uma voz
Para que nas horas de tristeza
Venha-me como um tango
Real e capaz de mostrar meu desengano
Mas logo depois da angústia
Escute o barulho do samba
Se a dois, um de raiz
Se só, quero bossa-nova
Em noites de amor que um blues
Nos dias de sol ouço em jazz
Na minha emoção rock n’roll
Ou quando dançar drum bass
Pulsando em um ritmo forte
Em compassos do coração
Que bate em notas da vida
E harmoniza tudo o que é meu
Para essa música não tem aulas
Nada de riffs ou acordes
Porém qualquer um pode sentir
É só respirar bem fundo
Começar a ouvir o silêncio
Pois é lá onde vibram os sons reais
Na freqüência de um amor
Que como um single dos Beatles
Não pára de tocar jamais
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Aos vivos...
Estranha é a noite
No dia dos mortos
Onde os homens porcos
Debulham suas flores
Aos pés dos corpos
Sem notar que as almas
Já se foram a muito
Deixando tudo oco
Entregues aos vermes
Expostos ao mofo
Se caixas de barro
Ou se banhadas a ouro
Todos se desintegram
Por causa de tanto choro
Como se chorar por fim
Só lhes trouxesse agouro
Quando em verdade
A vontade dos que se foram
É de agradecer por terem ido
Ao encontro da sombra
Já que não há pior morte
Do que a do viver na Terra
Onde homens nem tem mais espírito
Deixando irmãos morrerem de fome
Um aviso aos vivos
Não chorem pelos mortos
Trabalho em vão
Eles já choram por nós
Com pena de cada vida
Que abdicou da igualdade
E assumiu a condição
De uns serem melhores que outros
Se agora é irreversível
O destino também o é
E destina todos os homens
Ao único lugar puro do planeta
Onde os ricos ficam pobres
E ninguém se humilha mais
É a cova
Onde a terra pode encobrir
As angústias cadavéricas
Putrefando os corpos sujos
Num odor de vida eterna.
No dia dos mortos
Onde os homens porcos
Debulham suas flores
Aos pés dos corpos
Sem notar que as almas
Já se foram a muito
Deixando tudo oco
Entregues aos vermes
Expostos ao mofo
Se caixas de barro
Ou se banhadas a ouro
Todos se desintegram
Por causa de tanto choro
Como se chorar por fim
Só lhes trouxesse agouro
Quando em verdade
A vontade dos que se foram
É de agradecer por terem ido
Ao encontro da sombra
Já que não há pior morte
Do que a do viver na Terra
Onde homens nem tem mais espírito
Deixando irmãos morrerem de fome
Um aviso aos vivos
Não chorem pelos mortos
Trabalho em vão
Eles já choram por nós
Com pena de cada vida
Que abdicou da igualdade
E assumiu a condição
De uns serem melhores que outros
Se agora é irreversível
O destino também o é
E destina todos os homens
Ao único lugar puro do planeta
Onde os ricos ficam pobres
E ninguém se humilha mais
É a cova
Onde a terra pode encobrir
As angústias cadavéricas
Putrefando os corpos sujos
Num odor de vida eterna.
domingo, 28 de outubro de 2007
A canção do nasciturno...
As madrugadas não são as mesmas
Perderam a obscuridade
Por conta da sua pele alva
A insônia já não é a mesma
E dorme pelos cantos
Nem resiste ao seu afago
O pranto já não é o mesmo
Se ainda insiste em molhar
Logo evapora no seu respirar
A dor já não é a mesma
As feridas se fecharam
Com sua mão fez cicatriz
O cansaço já não é o mesmo
Agora só descansa
Perto do seu corpo em abraço
A boca já não é tão seca
Umedece os lábios
Nos seus beijos caudalosos
O espírito já não é o mesmo
Desistiu de vagar sem rumo
Encontrando você por vigiar
Nem o destino é mais o mesmo
Jogou a toalha de vez
Não quer mais lhe afastar
Nada é como antes
Exceto um detalhe
Que por pouco se perdeu
Mas resolvou achar-se
Na chance que a vida deu
De corrigir os erros
Que ninguém cometeu
E de renascer o amor
Que nunca sequer morreu
Perderam a obscuridade
Por conta da sua pele alva
A insônia já não é a mesma
E dorme pelos cantos
Nem resiste ao seu afago
O pranto já não é o mesmo
Se ainda insiste em molhar
Logo evapora no seu respirar
A dor já não é a mesma
As feridas se fecharam
Com sua mão fez cicatriz
O cansaço já não é o mesmo
Agora só descansa
Perto do seu corpo em abraço
A boca já não é tão seca
Umedece os lábios
Nos seus beijos caudalosos
O espírito já não é o mesmo
Desistiu de vagar sem rumo
Encontrando você por vigiar
Nem o destino é mais o mesmo
Jogou a toalha de vez
Não quer mais lhe afastar
Nada é como antes
Exceto um detalhe
Que por pouco se perdeu
Mas resolvou achar-se
Na chance que a vida deu
De corrigir os erros
Que ninguém cometeu
E de renascer o amor
Que nunca sequer morreu
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Bagunça...
Está tudo bagunçado
Como se me perdesse diariamente
Minha casa é estranha
O quarto trocou com a sala
Que preferia o banheiro
E agora dá para o corredor
As ruas esqueço dos nomes
Até mesmo a que moro
Nem o bairro ou a cidade
Quem governa ou quem reside
As placas não fazem sentido
Indicam tudo no lado contrário
Dentro de mim também mexeu
O coração já dissolveu
Nas veias se perdeu
O cérebro ainda se sustenta
Como um tonto no ar
Mas ainda tem algo consciente
Minhas pernas permanecem
E até cumprem seu papel
Andando sem reclamações
Elas me levam até você
Esse é o meu dia quando vou te encontrar
Deixo tudo revirado
Pra você com um sorriso
Colocar as coisas em ordem
Tudo em seu devido lugar
No seu lugar...
Como se me perdesse diariamente
Minha casa é estranha
O quarto trocou com a sala
Que preferia o banheiro
E agora dá para o corredor
As ruas esqueço dos nomes
Até mesmo a que moro
Nem o bairro ou a cidade
Quem governa ou quem reside
As placas não fazem sentido
Indicam tudo no lado contrário
Dentro de mim também mexeu
O coração já dissolveu
Nas veias se perdeu
O cérebro ainda se sustenta
Como um tonto no ar
Mas ainda tem algo consciente
Minhas pernas permanecem
E até cumprem seu papel
Andando sem reclamações
Elas me levam até você
Esse é o meu dia quando vou te encontrar
Deixo tudo revirado
Pra você com um sorriso
Colocar as coisas em ordem
Tudo em seu devido lugar
No seu lugar...
domingo, 21 de outubro de 2007
Eu não existo sem você
Tá... tá... confesso, esse negócio de ficar postando poesia dos outros não é homenagem coisa nenhuma... Reconheço, é preguiça de digitar! Não vou mentir... Mas pelo menos essa daí é muito linda e tem tudo a ver... Enfim, é de Vinícius de Morais, foi uma das poucas que conhecia que não falava sobre as promiscuidades das noites cariocas. ^^
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe,
já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinícius de Moraes
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