quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ao doce escatológico...

Memória daquele sujeito
Despretensioso de sorrisos
Saindo da Paraíba
Vencendo os hedonismos
À custa da sinceridade
De quem não temia a dor
Mesmo que em carne viva
Disfarces de um dissabor
Poeta do EU mais concreto
Que sofre por cada dia
E planta a floresta sombria
No quintal de seu coração
Tornando qualquer ambição
Num tronco seco e inválido
Nascido com um mandato
De cumprir com o viver
Morrendo diariamente
Sem medo do padecer
Só temia o outro
Geneticamente malditos
Determinadamente ingratos
Capazes de enganar almas
Com um afago que se faz tapa
Ou um beijo que se fez escarro
Saudades desse rapaz
Que nem de longe conheci
Mas me fez pensar na lógica da natureza
E que se há alegria
Por que não haver tristeza?
Somos tristes, mas tu não mais
Se hoje és Anjos, por nós olhais.

domingo, 7 de outubro de 2007

Sou...

Tá faltando luz, verdade e ser. Todo mundo hoje se prepara para quando crescer, viver de faláscias e nunca dar a cara pra bater. Ah! Só dessa vez, ninguém vai perceber! “Microenganações”. Alguns apelidam de “jeitinho brasileiro”, mas fala sério, isso não é exclusivo nosso.
Reflexos de uma sociedade adestrada aos moldes da incompetência humana do capitalismo, que tem como um de seus braços a burocracia. Tantos maus exemplos. E para um garoto pobre que chega em casa puto com a escola que só lhe impõe formulas, encontra seu pai batendo na mãe depois de ter sido explorado no trabalho de oito horas diárias com um salário mínimo que deve ser dividido com uns cinco filhos, liga a TV e encontra na cadeira de presidente do Senado um corrupto (Alguém duvida?)... Fica difícil explicar pra ele que roubar para comer é errado, não é?
Moral? Quem tem, pode jogar as pedras! Esse é o nosso mundo, corrupções diversificadas do micro ao macro: filas da padaria que são furadas até um presidente que invade países, mata seu povo e se apossa de suas riquezas naturais, sem arriscar um: Ok, thanks!
Ora! Se você ainda é honesto, não sinta vergonha, viu? Sei que todo mundo vai perguntar “por que ser assim?” ou te chamar de “bobo”, mas ainda vale a pena fugir às regras. E para os que querem mais e mais, espero que eles fique tão pobres, tão pobres que só tenham o dinheiro. Para os que querem ser mais e mais, que eles fiquem tão feios que só lhes restem a beleza. Para eles uma receita romana, Panis ET circensis.
Para nós todo o amor do mundo, e como diria Paulo Leminski: “Isso de ser exatamente o que somos, ainda vai nos levar além”. Ôxi, se vai!

10cartadas...

Eu bolei umas 10 mentiras
Pra alguém se perfazer
Isso na frente dos amigos
Dá status, tu vai ver!
1 - Eu adoro a MTV.
2 - Fomos feitos pra vencer.
3 - Novela? Não vou perder.
4 - Vou começar a emagrecer.
5 - Nunca baixei um CD.
6 - Todos lindos de morrer.
7 - Nunca é tarde pra aprender.
8 - Querer é poder.
9 - Amanhã paro de beber.
10 - Vou deixar de amar você.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

68.000


É meus amigos ontem foi de arrepiar do início ao fim, o Maracanã lotado em um coro só, o de levantar o time que venceu o São Paulo ontem por 1 X 0, time este que não perdia a 16 jogos, enfim foi uma data inesquecível.

O gol do meia Ibson foi muito importante para uma nova esperança que se abre no time de chegar até a zona de classificação para a Libertadores.

Enfim, foi muita festa e muita vibração. Para o maior público do campeonato brasileiro de 2007.

Lembrando que essa torcida merecia um time bem mais competitivo.

=/



Eu sempre te amarei

Onde estiver estarei

Oh, meu mengo


Tu és time de tradição

Raça, amor e paixão

Oh, meu mengo


p.s. Apesar de 68.000 pessoas, eu tenho que declarar que por causa desse jogo acabei chateando alguém muito especial... Ela é mais importante que a população da Chica, imagine vocês do que um estádio lotado... Desculpas sinceras...

domingo, 30 de setembro de 2007

Manutenção da dor...

Contemplar os fatos
Bons ou ruins, quem sabe
Condição de existência
Ou ao menos a dos poetas
É preciso manter a dor
Sem recolher os estilhaços do amor
Que se alojam no meu peito
A manutenção dos sonhos
Dos amores impossíveis
O alimento dos meus versos
Das minhas letras invisíveis
Poder de transformação
Tornar as pedras mais brutas
Em jóias raras e sensíveis
Basta escrever, amar e lapidar
Não sei se dá pra esperar
Até minha obra acabar
Aí mora a desilusão
Nenhuma esperou o amor ficar pronto
Então parte para novas vidas
Deixando-me só
Na sombra
Na solidão
Na sorte do poeta
Aquele que sorri para o escuro
Pois é lá que ele se perde
Perde-se para o mundo
Acha-se para si próprio
Este é o destino da poesia
Promover o dia ilustre
O encontro de quem perdeu-se
Dentro de outros olhos
De quem não tem mais sangue
Pois já se foi em outras veias
De quem não ouve mais o coração
Aquele que me roubaste
De quem sequer respira
Outro ar que não o seu
Esse sou eu
Sem sangue, sem coração, sem ar
Com a licença do sofrimento
Já que não vai me esperar
Vou aqui escrevendo
Usando do que ainda tenho
Dor, caneta, amor e papel.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Tempo...

Dinheiro não me serve
Tudo isto pra que?
Só queria um dom
Se pudesse escolher
O de mandar no tempo
Medido no meu prazer
Congelar os segundos
Sempre que com você
Ebulir as horas
No auge de minha saudade
Mas não posso fazê-lo
Tenho que me contentar
Já que não mando nos ponteiros
Pretendo me aliar
Tornando cada minuto
O primeiro e o último
Aquele que mais me fez feliz
Aí eu ficarei muito bem
E com o coração cheio de vida
Pra que na hora mais triste
No instante da despedida
Me sobre um tanque de esperança
De que no fim de mais uma semana
Vamos no ver novamente
Querendo ou não
O tempo até nos guia
Mas o controle independe dele
E quando passa, não volta
Que seja assim
Todo o tempo ao tempo
E pra nós, moça
Todo o tempo do mundo
Deste e dos outros
Algo perto da eternidade
Cruzando com o infinito
Um instante tão longe e bonito
Que só nós enxergamos
Mesmo quando dormimos
Duvida?
Fecha os olhos...
Esse é o nosso tempo

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Química...

Estou aqui
Todos podem me ver
Procure a alma
Você não vai achar
É só de corpo presente
O pensamento ausente
Levou-me pra passear
Esse é o fascínio da química
Carbono, cloro e levógenos
Assuntos alucinógenos
Daquele que não entendo
Nem me importo
Não quero
Nem posso
Pra quê?
Passar
Heuaheuaheuaheua
Obrigado, fica mais fácil
Tão simples de odiar
Como se pisassem no meu calo
Gera uma colisão molecular
Dando-me um mol de sumiço
E num choque de elétrons
Esqueço a função de nêutrons
E grito:
- Eu odeio química!
Acho que é de berço
Ódio desde o começo
Ou talvez "não rolou a química"
Por isso:
- Eu odeio química!